sexta-feira, 26 de julho de 2013

Pausa e A Maldição do Simulacro

Quinta-feira, um frio de matar... Dia 25 de julho de 2013. Se estiver com um pouco de tempo e ler este artigo tenho aqui uma idéia e desejo compartilhar antes da minha pausa. Sim, pausa. Pausa de escrever aqui para arrumar as idéias e fazer outras mil outras.
Atualmente, eu, um pouco afastado de tudo e de todos, vou acumulando pensamentos que traduzo em música ou em diálogos com pessoas. Alguns temas são comuns com outras, mas algumas outras tem a sensibilidade para lidar com meus temas recorrentes. Muitas destas sem um arcabouço teórico "pré-formatado" em anos lendo colagens lítero-teóricas ou sentados em cadeiras fedorentas da Academia (por mais que critique devemos muito a elas).
A Música e a Vida são pontos chaves nestas discussões. Em ambas, expressamos nossa autenticidade (ou nossa falta de) e em comum desenvolvemos o "antídoto antimonotonia" frente ao nosso deslocamento natural, a nossa situação e ao destino que é o fim de tudo.
A finitude é um elemento natural condicionante a tudo. Só que o homem em sua capacidade criativa criou elementos para alterar sua realidade tanto de forma racional como emocional. O Conhecimento e a Arte são produtos deste fator condicionante, mas transgridem, pois são a expressão humana da infinitude "até quando dure". Enquanto houver humanos ou que os mesmos decodifiquem os signos, até quando dure.
No contexto da Arte, e da Música, assunto aqui caro, o efeito estético e de substanciação de valores foge do pragmatismo realista, do materialismo mais iconoclasta e do tecnicismo político. Está circunscrito nos milhões de anseios, alguns ligados ao nosso "subterrâneo",  que nos levam ao "superar" o continuum de fatos e causalidades.
Estes anseios na Música revelam as secretas amarras do emocional humano, mesmos transcodificados por métodos racionais de escrita musical. Este equilíbrio/desequilíbrio entre o racional e o emocional liberam forças que projetam muito mais "verdade" ou até mesmo "simulações" que qualquer outro sofisma. Quanto mais buscamos esta verdade mais este ciclo nunca se fecha e voltamos ao fato inicial.
Tem sido assim por tempos e tempos: ora mais racionais, ora mais emocionais... E tudo se soma a problematização pós-moderna. Temos um acumulado de conhecimento, experimentos artístico-filosóficos, tecnologia capaz de aumentar nossa força criativa, que é por si libertadora, mas caímos nos "tecnicismos"... São falos de nossa subjetividade e de nossa baixa auto-estima... Um momento de alegria esfuziante e de depressão crônica. Tudo ao mesmo tempo. Temos tudo e nada como um jogo de videogame, todo simulacro, tudo amoral.
Buscamos reagir e só encontramos "pessoas bárbaras" tentando fazer valer um gosto decrépito de transmutação de valores que nunca existiram. Enfim, hoje, todos somos "bons moços", defendemos "valores novos", somos "de esquerda", mas o que somos é "religiosos frustados". Escolhemos uma voz e as reverberamos em mil vozes, em mil caixas acústicas que são a consciência individual e no final de tudo, o fenecimento.
Estamos no ideal máximo de nossa re-representação do Mundo, orgulhosos da nossas facilidades e das possibilidades, contudo presos em questões que nos marcam a carne, a alma e os ossos com navalhas superafiadas. O que faremos com nossas demandas e com nossa incapacidade de transmutar a Vida frente aos núcleos geradores de pseudoconsciência que a sociedade nos inclui como as instituições da própria?
A Arte com certeza anda por fora... Em todos os sentidos... Também, ela, um produto que deve ser com uma refeição rápida ou como "esmola" de autencidade de grupos menos providos de poder está mais interessada em si. Seus realizadores: mais interessados em si, pretendem representar um povo em si, deslindam a mediocridade em si... Mas o que percebo é que aqueles que buscam elementos para representar a si, os seus mistérios e suas lutas internas. São aqueles que eu diria mais dignos e com alma mais leve que podem planar nesta nuvem negra de fluxo irresponsável do fazer artístico. São muitos destes diletantes que irão construir algo relevante para o infinito ou até mesmo enquanto dure...
Tudo isto é um conjunto de idéias, não uma homilia. Acho válido compartilhar e quando voltar a este espaço, espero ter outras observações a fazer.

sábado, 20 de julho de 2013

A Música Sem Vida Seria Um Erro

"Friedrich Nietzsche - Eine Sylvesternacht, for violin and piano (1863)"

Quando uma força criativa se furta a novas dimensões e se embriaga de tal forma que a vida se manifeste como jogo em inúmeros motivos, acordes e sentimentos, antes e agora, superando o que é dado.





sábado, 13 de julho de 2013

John Cage: Six Melodies (1950)

John Cage é tensão.

Ironia ou o quê?

Um sucedâneo de fatos e notas ou amontoadas.

Com ou sem a dissonância que a Vida necessita.

A calma de todas as pausas e múltiplos andamentos.

Um derrubar de heróis e mártires compenetrados em sua própria ilusão.

Ou apenas um chamado ao Caos que tudo organiza... 


sábado, 6 de julho de 2013

Duo Pinho Brasil

Hoje, dia 6 de julho de 2013, tive finalmente a oportunidade e a força de vontade para conhecer as instalações do Centro de Referência da Música Carioca Artur da Távola na Muda (sub-bairro da minha querida Tijuca). Força de vontade, não diria, mas colocaria afinação com o conteúdo programático deste espaço cultural que existe desde 16 de junho de 2007.
Há momentos e momentos em nossa vida e a música brasileira que representa a tradição e o uso de instrumentos de percussão, a viola e o violão são cernes de minhas pesquisas musicais. Vendo a programação disponível, escolhi a apresentação do Duo Pinho Brasil (que poderia ser um trio graças a participação onipresente do violinista Ramón Araújo), pois em si já sabia o que ia encontrar: um repertório instrumental recheado com sambas e choros, pontuados por modas de viola. Basicamente, o que escutei na minha caminhada até o local do evento.
O local, bem aprazível, disponibilizou um lazer de boa qualidade. Apesar do público pequeno, característico destes eventos, se portou de maneira respeitosa até em alguns pequenos problemas técnicos da sonorização. Os músicos titulares, Fábio Neves (violão) e Márcio Valongo (bateria), se apresentaram com energia e proporcionaram um painel interessante da música brasileira.
No mais, convido todos a conhecerem este espaço gerenciado pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro que se localiza na esquina da Rua Conde de Bonfim com Rua Garibaldi.

Abaixo, um pouco do som do Duo (ou trio?) Pinho Brasil com o show "Madeira de Lei":


sábado, 29 de junho de 2013

Musical "Lamartine Babo"

Recentemente ao chegar do trabalho liguei a televisão, coisa rara nos últimos dias, e procurei algum canal que trouxesse uma apresentação musical. Logo, parei no canal SESC TV (do Serviço Social do Comércio na cidade de São Paulo) e me rejubilei com o musical "Lamartine Babo", de Antunes Filho.
Mas o quê o mesmo teria de tão especial? Simplesmente as lembranças e glória do "rei do Carnavais", Lamartine de Azeredo Babo, que mesmo sem possuir uma técnica musical apurada, construiu melodias lindas como "Serra da Boa Esperança", hinos dos times cariocas e marchinhas fenomenais.
A mais cinco anos, interessei-me por sua obra por causa do trabalho como monitor/operador de áudio na CPM/ECO da Universidade Federal do Rio de Janeiro em que executei uma canção, que me perdoem minha falta progressiva de memória, em que se dava para perceber a capacidade criativa deste grande tijucano.

sábado, 22 de junho de 2013

Artistas e Outras Quimeras Deste Mundo...

O moderno som (ou a moderna música, como queira) ultrapassado neste momento é ultracool e vintage. Mas nunca deixou de ser um produto da indústria fonográfica, lembre-se disso. Até porque sempre existiram os famosos totems de determinados estilos que por sua qualidade ou por falta de opção duraram anos nas consciências e inconsciências coletivas.
Hoje, o que se tem mais de "inovador" remete ao auge das gravadoras de discos e diante de tamanha obsolecência da música comercial (aquela que chega via meios de comunicação) se tornam destaques. E não é à toa...
Deixo vocês com esta nota e uma seleção musical do ultrahype (que ironia, né?) Dâm-Funk.

sábado, 15 de junho de 2013

Tudo, Uma Invenção...

O Brasil é uma in-venção...
Onde até os olhos podem ver.
Sa-ú-de, falta de injeção...
Delírios na TV

O Brasil é uma in-venção
De todos humilhados
Dos redentores da salvação
Do trabalhadores caçados

In-venção

Reação...